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11 de maio de 2012

Sobre a preparação para o pós-parto

É possível se preparar para o pós-parto?
Sim e não!
Deixa eu me explicar...
Independente de como escolhemos empreender uma preparação para a chegada do bebê, o que acaba operando dentro da gente, e o que faz com que sintamos mais segurança e conforto, é o fato de que algo, no caso o pós-parto, passa a fazer parte do nosso universo de preocupações, e, assim, podemos nos organizar para que tenhamos o máximo de recursos para agir diante do novo.
Porém, quando estamos a nos preparar para algo, é quase inevitável sermos levados a considerar aquilo que sempre escapa à preparação, não é mesmo? Aquilo que imaginamos está sempre à mercê do que concretamente irá se dar, há sempre a possibilidade do imprevisto, da novidade...
A preparação portanto abarca tanto a nossa potência, quanto a nossa impotência. Levar ambos aspectos a sério é empreender uma verdadeira preparação. Por que digo isso?
Considerar que a preparação é um fim em si mesma é justamente não se preparar para o que de novo e surpreendente pode acontecer. Quando o imprevisto se der, ele pode acabar não sendo muito bem recebido. É capaz que vivamos tomados pela frustração ou ressentimento, pela paralisação ou pelo enrijecimento. O inverso também pode acontecer: se o pós-parto não puder fazer parte de nossas preocupações, quando ele chega, pode arrebatar, pois nos vemos sem os recursos para agir diante do novo.
Preparação, portanto, é estar presente para receber. Mas, ao receber, saber também que necessariamente irei me transformar. Preparem-se para a chegada de seus filhos, mas não se esqueçam também que eles são... a novidade!
Texto: Cristina Toledano (psicóloga)

30 de março de 2012

Nasce o Espaço Nascente

O que está acontecendo? Que lugar é esse? Quanta luz... ai que frio!
Humm, um calorzinho... Que olhar doce. Todo o mundo deveria poder encontrar um olhar acolhedor quando nasce.
É o que esperamos por toda a vida, a cada nascimento. Acho que é isso que se chama “ESPERANÇA”.
A cada mudança de lugar, de vida, há uma emoção que nos acompanha e que nos motiva a acreditar que tudo vai melhorar.
Se desde bebês guardamos a lembrança de um abraço materno e um olhar amoroso com certeza vai ser mais fácil poder mudar e melhorar.
Eu tive um sonho...
 Sonhei que entrava numa casa, acompanhado por amigos. Esta casa de dois andares tinha uma escada que nos levava para o andar de baixo. Lá havia uma sala que se abria numa porta para o mar. “Quando o mar tema mais segredo, não é quando ele se agita, nem é quando é tempestade, nem é quando é ventania, quando o mar tem mais segredo é quando é calmaria”.
Podia ver o sol.
Podia ver uma mulher grávida.
Podia ver seu filho através de uma barriga transparente.

Essa viagem me acompanhou por anos.
Hoje vivo este sonho. Encontrei a tal casa.
Encontrei mulheres grávidas. Vi o sol e o menino nascer!

É uma grande emoção que me toca agora. Uma esperança, uma realização, uma aventura.
É engraçado pensar que o nascimento não é um fim. Não é o que determinava o final do parto. É o começo!
E vamos passar uma vida de gestar idéias e realizações, pari-los e vê-los nascer, sem que com isso chegamos ao fim.
Com muita alegria vivo este momento, nasce o Espaço Nascente. Surge um lugar que assim como o mar, é calmaria, é tormenta, é vida.
Convido vocês para participar deste intenso momento. Estamos celebrando a chegada do Espaço Nascente, que como o nome diz é o COMEÇO. É a celebração da esperança.
A realização de um sonho.
                             Suave,
                                      Intenso,
                                            Nascente.

Obrigado,
Carlos Eduardo Corrêa, o Cacá – Padiatra/Neonatologista

21 de março de 2011

Pedido de apoio à Graduação de Obstetrícia na Universidade de São Paulo

Amanhã, 22 de março haverá uma manifestação às 09:00hs frente Reitoria da Universidade de São Paulo


Carta dos alunos de obstetrícia USP



A saúde da mulher encontra no Brasil números alarmantes. A OMS recomenda que o número de cirurgias cesáreas não ultrapasse 15%, porém, na rede pública brasileira este número alcança a marca de 48% e na rede particular de 70% a 90%. Apesar do incentivo do Ministério da Saúde do Brasil pelo parto normal e pela humanização dos mesmos, as taxas permanecem altas. Sendo assim, em resposta a este quadro, o curso de Obstetrícia foi reaberto na Universidade de São Paulo em 2005, 34 anos depois de sua extinção na mesma universidade.
Ressurgiu determinado a formar profissionais da saúde, capacitados para prestar uma assistência humanizada à população brasileira no que se refere assistência pré-natal, parto e pós parto, compreendendo a saúde da mulher, família e comunidade.


Acreditamos que uma atenção humanizada não é uma especificidade da obstetrícia, certamente profissionais médicos e enfermeiros podem e devem humanizar seu olhar e suas práticas. Contudo, a formação específica de Obstetrícia capacita os profissionais para praticar uma atenção individualizada à mulher e à família, compreendendo-a em seus processos de gestação, parto e amamentação como fisiológico, mas também e igualmente importantes, como processos emocionais, sociais, culturais, espirituais e como sementes para um mundo melhor.


No entanto, apesar de se propor a colaborar com a melhora da atenção a saúde da mulher, desde a sua reabertura, o curso enfrenta muitas dificuldades, dentre elas o impasse em relação a regularização da profissão de obstetriz. No diálogo com as instituições que poderiam regulamentar os profissionais formados nesse curso, viu-se a necessidade de ampliar a formação dos mesmos, o que gerou uma reformulação em sua grade curricular, que a partir de 2011 passa a ser realizado em 4 anos e meio em período integral. Assim, o curso foi tratando de dar respostas, aprender e recordar sempre qual a sua função e a importância que representa na possibilidade de contribuir na melhoria da atenção a saúde no Brasil.


A esses impasses soma-se o fato do curso de Obstetrícia estar situado em um campus recente da USP. Sendo um campus novo, os cursos situados nele têm pouca divulgação e consequentemente menor procura do que cursos tradicionais. Devido a isso, hoje a Obstetrícia enfrenta um problema ainda mais grave do que a regularização de seus profissionais: corre o risco de ter seu vestibular suspenso, o que abre a possibilidade do fechamento do mesmo. Além disso, há também a possibilidade de redução das vagas para acesso ao curso (hoje 60 vagas são disponibilizadas por ano). Entendemos, no entanto, que a realidade da assistência obstétrica no Brasil justifica a manutenção das 60 vagas atuais, permitindo a formação de um maior número de profissionais capacitados na assistência humanizada à saúde da mulher.
Como consequência indireta e não menos importante, a suspensão do vestibular e possível fechamento do curso diminui as chances das pessoas que vivem na Zona Leste de São Paulo, região caracterizada por população de menor poder aquisitivo e, dado o quadro das universidades do Brasil, com menor chances de cursar uma faculdade pública, em geral com maior prestígio no país.


Enfim, estamos falando da possível extinção da profissão Obstetriz e de sua capacidade de mudar a realidade obstétrica brasileira. Hoje os alunos formados podem trabalhar mediante uma ação judicial, porém enfrentam uma oposição das instiuições reguladoras que dificulta o ingresso destes profissionais no mercado de trabalho.


Pedimos, então, o seu apoio para evitar que a Obstetrícia tenha seu vestibular suspenso e sua formação ameaçada. Para isso você deve assinar o texto abaixo, podendo acrescentar comentários pessoais, e depois enviar para o email ajudeaobstetricia@gmail.com
Diante da realidade obstétrica brasileira, com altas taxas de cesárea e morbimortalidade materna, ao contrário das recomendações da OMS, apoio a graduação de Obstetrícia da Universidade de São Paulo, sendo contrário à suspensão de seu vestibular. Da mesma maneira apoio a profissão Obstetriz e sua inserção no mercado de trabalho, uma vez que acredito que este profissional pode alavancar uma assistência humanizada na saúde da mulher, melhorando e ressignificando os processos de gestação, parto e pós-parto.


Participe também da Abaixo assinado online! www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/8452